Brado Retumbante

Do golpe às diretas

Paulo Markun

Movimento Estudantil

A primeira entidade estudantil brasileira, a Federação dos Estudantes, surgiu em 1901, mas o movimento estudantil já se fizera presente na história do país antes disso: em 1710 foram os jovens estudantes de conventos e colégios religiosos que enfrentaram a invasão francesa no Rio de Janeiro. Havia estudantes na inconfidência mineira, na campanha da abolição e na república.

Estudantes denunciaram a violência policial contra Canudos, participaram da campanha civilista de Ruy Barbosa. Quatro deles – Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo – morreram em 1932, dando início à chamada Revolução Constitucionalista em São Paulo.

Cinco anos mais tarde foi criada a UNE, que atuou intensamente na campanha do petróleo. Em 1961, formaram ao lado dos que defendiam a posse de João Goulart, na campanha da legalidade. No período que antecedeu o golpe militar, os estudantes pressionavam o governo para adotar as reformas de base e radicalizavam a luta política, sonhando com a revolução socialista.

A chegada dos militares ao poder colocou as entidades estudantis na ilegalidade e vários dirigentes foram para o exílio, como José Serra, presidente da UNE em 1964.

Mas o movimento logo se rearticulou. A partir de 1967, surgiram novas lideranças, como José Dirceu, Vladimir Palmeira, Franklin Martins, José Genoíno. E os estudantes foram para as ruas em protestos e passeatas, como no protesto no restaurante Calabouço, onde foi morto Edson Luis, na passeata dos cem mil, na batalha da Maria Antônia, no fracassado congresso da UNE. O AI-5 representou um grande golpe na mobilização, mas a partir dos anos 70, começou a ser reconstruída a representação estudantil. Primeiro, em torno de questões mais próximas da vida universitária e logo, em torno da redemocratização, anistia, fim da censura, da tortura – como no episódio da morte de Vladimir Herzog e finalmente na campanha pelas diretas já.