Brado Retumbante

Do golpe às diretas

Paulo Markun

Leonel Rocha

Leonel Brizola, até um ano e três meses, era chamado pela mãe de gurizinho. No batismo, seus pais resolveram então batizá-lo com o mesmo nome no bravo Leonel Rocha: líder maragato que chefiou a hoste de seu pai, José Brizola. Vale a pena saber quem foi o caudilho.

O caudilho nasceu em 13 de outubro de 1865, no município de Taquari, no Rio Grande do Sul. De origem açoriana, sua família era simples, dedicada ao cultivo de pequenas propriedades. Seu pai fora soldado na Revolução Farroupilha. Quase analfabeto, sua vida foi a de pequeno agricultor, característica que o diferenciava de todos os demais caudilhos gaúchos.

Em 1893, engajou-se na revolução sob o Partido Federalista, de oposição a Júlio Castilhos. Dela, saiu após quatro ferimentos à bala, um deles no rosto, onde ficariam marcas de sua bravura como tenente-coronel do Exército Libertador, nomeação conferida pessoalmente pelo lendário Gumercindo Saraiva. Em 1895, mesmo com o fim do conflito, Leonel Rocha foi perseguido pelo regime castilhista, o que o obrigou a seguir exilado a Argentina, com sua mulher e filhos.

Em 1923, Leonel reuniu uma coluna com quase mil homens, para lutar contra os chimangos borgistas, todos eles como ele: peões, lavradores, posseiros e ervateiros, pessoas lançadas à margem do progresso que chegava à região serrana na esteira dos trilhos da ferrovia, favorecendo a formação do latifúndio. Novamente no Exército Libertador, novamente em oposição ao Partido Republicano Rio-Grandense, novamente maragato. Alcançava assim o posto de General responsável pela coluna revolucionária. Em função do escasso número de armamentos, adotou táticas de guerrilha, evitando confrontos abertos, emboscando de surpresa, com mobilidade. Terminada a guerra civil, não pleiteou cargos públicos: continuou trabalhando como agregado, em terras alheias.

Faleceu aos 82 anos, em 1947, no município de Erechim. Durante toda a vida, firmou-se como indiscutível autoridade militar e moral. Seu nome seria objeto de homenagem adotado por Leonel Brizola, cujo pai lutara nas hostes do General peão, Leonel Rocha.

Bibliografia:

O General peão, por Gunter Axt. (http://wp.clicrbs.com.br/pedepagina/tag/leonel-rocha/?topo=77,1,1).

SCHILLING, Voltaire. Os Caudilhos no Rio Grande do Sul. Universidade integrada do Alto Uruguai e das Missões: Cadernos de História – Memorial do Rio Grande do Sul (http://www.memorial.rs.gov.br/cadernos/Caudilhos.pdf).